segunda-feira, 29 de março de 2010

Mulheres de Paz! Mulheres da Paz!

Durante muito tempo de minha vida busquei a paz em minhas conquistas, meu primeiro emprego de verdade, a primeira vez que alguém me ouviu de verdade, o primeiro 10 na universidade, a primeira vez que me senti amada, a primeira vez que busquei por justiça.

E eu acreditava ter encontrado essa paz, pois já não temia mas a solidão, e conseguia estar bem comigo mesma, No ano passado fui convidada a acompanhar um projeto pela secretaria onde trabalho, o SEMIRA (Secretaria de políticas para mulheres).

O nome do projeto? Mulheres da Paz! Sua missão: resgatar jovens da criminalidade!

No primeiro encontro o impacto foi o seguinte: vi mulheres violentadas em sua essência buscando ajuda para ajudar, e pela primeira vez na vida tive medo de não conseguir ser eu mesma. Meu mundo, minhas lutas diárias pareciam tão pequenas perto delas, e elas compartilharam comigo suas histórias, seus piores e melhores momentos, e todas buscavam a mesma coisa, se encontrar e encontrar alguém que compartilhasse de sua dor, de sua luta. Nesse sentido nós nos completamos, mulheres de paz, em busca das mulheres da paz!

Estou apaixonada por mim mesma!



Houve um tempo em que me olhar no espelho era uma tortura, gostar de mim, então, nem falar! Parecia impossível, sei que em si tratando de mulheres isso é comum, digamos natural, mas no meu caso o não gostar de mim estava ligado a algumas situações que já vivi, situações essas que não conseguia apagar.

Quando, criança, vivia em um pequeno povoado a mais ou menos 70 km da Cidade de Goiás e e lá tive minha primeira experiência escolar, catastrófica, passava a a maior parte do tempo sozinha. Tinha uma única amiga que gostava de mim porque eu dividia meu lanche com ela, depois que ela comia sumia. E outra parte do tempo fugia de um menino que puxava minhas tranças ou jogava água na minha cabeça pra depois falar que meu cabelo era a prova de água. Eu contava para professora e ela não fazia nada. Depois de um tempo me vinguei dele, ele me xingou como de costume, e depois correu e eu peguei areia, joguei na cabeça e falei que foi ele, que ficou de castigo. Eu tinha 6 anos, me senti tão bem, percebi então que minha arma seria a inteligência. Já que todos diziam que eu era feia acreditei.

O tempo passou, outra cidade outra escola, outros apelidos, por muitas vezes eu quis desistir de estudar, mas graças aos deuses eu fiquei e resisti. Mas as vezes esses apelidos ainda ecoam sobre minha mente, mas hoje eles não tem mais efeitos sobre mim, porque me apaixonei por mim mesma, parece narcisismo mas não é, pois esse me apaixonar não me impede de ver a beleza dos que me cercam pelo contrario, me inspira a buscar a beleza em cada ser que cruza meu caminho.



segunda-feira, 1 de março de 2010

As mulheres da minha vida 2

Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante com a graça de um adulto, e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vôo.
Depois de um tempo, você aprende que até o sol queima se você ficar exposto por muito tempo.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
Autor desconhecido

Essas frases me fazem pensar em mim mesma e nas relações que cultivei durante esses anos. Cresci escutando minha mãe dizer que a verdade, cedo ou tarde, sempre aparece, que quem fala a verdade não merece castigo, mas com o tempo aprendi que existem verdades e verdades, e que isso nem sempre depende dessa verdade ser mesmo real. Aprendi que a verdade depende do ponto de vista de quem a defende e que ganha quem tiver melhor oratória. Que as pessoas que falam verdade merecem, ou melhor estão sujeitas, à castigo, porque existem verdades que não devem ser ditas, pois algumas pessoas estão machucadas demais para poder ouvir.

A verdade o que é essa? Bom, passei parte de minha vida lutando contra a minha verdade, ou melhor contra a verdade que a sociedade impôs para mim, e a outra parte buscando a minha verdade, aquela que eu queria para mim, e sempre assombrada pelo medo do fracasso. Em muitos momentos de minha vida eu pensei em desistir e aceitar a verdade dos outros, daí eu pensava, mas porque eu tenho que aceitar a realidade de pessoas que nem me conhecem?

Acho bonito ouvir testemunho de pessoas que venceram na vida, criaram sua própria verdade por amor, ou outros sentimentos que são bem vistos socialmente.

Bom, na minha verdade o que vale é o bem estar daqueles que amo, mas não foi por amor à eles que busquei e ainda busco minha verdade, mas por raiva. Raiva, ódio são sentimentos que, bem canalizados, são bons, bons demais, eles me fazem lutar contra as injustiças, me sensibilizam diante de alguém que sofre, e me fazem humana, sujeita a erros, não que eu me esconda atrás para não tentar melhorar, mas depois de aprender isso perdi parte do medo que tenho do fracasso, de decepcionar as pessoas que amo, porque me permito errar.

As mulheres da minha vida

Na minha infância tive o privilegio de ter uma vó e uma bisavó, pena que não percebi isso antes, pois teria aproveitado mas da companhia delas. Meus pais vieram para a cidade para que pudéssemos estudar, e para fugir da fome, já que vivíamos de favor em uma fazenda, e a presença da minha mãe e minha bisavó eram constantes na minha vida.

A minha vó! Eu tinha pesadelos com elas, sempre apressada em direção a roça e sempre arrumava algo para a gente fazer, mas o que mais me assustava nela hoje é o que mais me encanta: a voz, quase sempre em tons altos, gritantes e um jeito de falar, uma linguagem só dela, única, perfeita para minha vó.

O que mas gosto de ouvir é quando eu a chamo e ela me responde.

“Vó!” “Doque, minha neta?”

Meu Deus, como é bom ter ela por perto.

Já a minha bisa, como era doce a voz dela, mas parecia uma canção de ninar, iguais as que ela cantava enquanto contava histórias quando eu era criança. Que falta ela me faz! E minha mãe é a mistura das duas, a doçura e a dureza se alternam dependendo da ocasião.

E eu? Tento imitar para ver se minha filha sente por mim um terço do orgulho que eu sinto de cada uma delas.

domingo, 10 de janeiro de 2010

domingo, 30 de agosto de 2009

Memória e Patrimônio, uma questão de Identidade: Histórias e estórias de Vila Boa de Goiás




Se me perguntassem há um tempo qual era o meu maior patrimônio? Sem dúvidas eu responderia minha filha, meu cachorro já que era o único bem material que tinha e ainda tenho menos. O cachorro não tenho mais.

Quando me especializei em gestão do patrimônio cultural percebi que o conceito de patrimônio vai além do meu mundo particular, e que sem perceber eu dividia esse patrimônio cultural com muitas outras pessoas, algumas que eu gostava outras não, acima de tudo aprendi que sou eu quem determina o que é patrimônio para mim, e que esse pertencimento nem sempre acontece por sentimentos bons, por muitas vezes selecionamos lembranças das quais queríamos esquecer. Isso chamamos de memória seletiva.

A discussão sobre patrimônio no Brasil é nova, surgiu no inicio do séc. 20 e vem se adequando a nossa realidade, devido à imensa colcha de retalho cultural que somos.

O patrimônio cultural brasileiro é imenso e muito diversificado. Mas como fazer com que as pessoas percebam a importância de se preservar esse patrimônio, se somos fruto de uma sociedade que busca o novo, o moderno, e que associa a memória a velhice e infelizmente a velhice a algo que não tem mas valor, algo que precisa ser substituído.

Foi Mario de Andrade que, na década de trinta, ao discursar sobre a riqueza cultural do Brasil, e do descaso com a qual tratavam o que ele chamou de monumento histórico, hoje também chamado por Bosi como lugares de memória, afirmou que: ”um Povo sem memória é um povo sem história”.

História: agora chegamos onde gostaria. Em 2004 me formei pela Universidade Estadual de Goiás em história e, mesmo sendo uma área onde trabalhamos memória, monumentos, diversidade, nunca, nem por uma vez, consegui perceber o meu papel e minha existência dentro desse processo, e quando estudamos história de Goiás foi pior.

Sempre morei em Goiás, cidade histórica de grande importância para compreensão do contexto social e cultural do Brasil, mas eu nunca havia me sentido parte desse cidade onde vivi a vida toda, até 3 anos atrás.

O fato de ter sempre vivido aos arredores da cidade fazia com que me senti-se fora do contexto, a minha relação com a cidade era de uma criança de nove anos que trabalhava de babá nas casas históricas do centro, essa memória seguiu comigo por muitos anos, e quanto mas eu estudava, mas me sentia excluída da minha cidade da minha história.

Hoje com 34 anos me formei no mestrado de Gestão do Patrimônio e fui convidada a ministrar um curso de formação para professores da minha cidade, fui convidada a despertar nesses professores o sentimento de pertencimento, sentimento esse que por muito tempo eu me neguei porque os mesmos me faziam lembrar momentos dos quais eu queria apagar da minha memória.

Este é meu quarto grupo de formação de multiplicadores patrimoniais e foi a experiência que mas temi e a mais gratificante até agora. Quanto á minha cidade habita em mim e como todas as minhas lembranças boas, ruins, não importa. Elas me lembram de onde vim, e acima de tudo quem eu sou..


Art. 216. Constituem o patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I - as formas de expressão; II - os modos de criar, fazer e viver; III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.(Sant’Ana 1997, pag. 41)


“Memória e Patrimônio, uma questão de Identidade: Histórias e estórias de Vila Boa de Goiás”

Curso de qualificação para educadores, dias 27 e 28 de agosto 2009, na cidade de Goiás; promoção Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Gestora responsável Prof. Msc: Rosinalda Corrêa da Silva

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Mestre em Gestão do Patrimônio Cultural!

Chegou o grande dia depois de quase três de dedicação e incertezas, chegou o dia de defender minha tese de mestrado. Mestrado bom para uma pessoa que voltou a estudar aos 22 anos e não tinha concluído nem a fase inicial dos estudos: acho que progredi.

E muito difícil falar de si mesmo, para mim sobre tudo, mas o que posso dizer é que estou no rumo certo para o que quero para minha vida; e o que quero? Bom, na maioria das vezes eu não sei, quero crescer e sobre tudo que minha existência não seja em vão sobre tudo para os que me cercam. Então agora sou mestre em Gestão do Patrimônio Cultural, e nesse processo tive mais certeza de que o maior patrimônio de cada um é sua essência, sua verdadeira identidade. Sem ela nenhuma busca terá êxtase.


sábado, 31 de janeiro de 2009

Contando histórias na Itália...



Aqui abaixo um link ao mesmo video que, além do conto, tem uma introdução ao conto e á minha atividade de contação de histórias.
http://gallery.me.com/stefanosimoni#100095

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Afoxé AYÓ DELÊ, a alegria da casa





A onde vai BABALOTÍN? Vou sair no afoxé...
Se me perguntarem onde eu me sinto mais negra poderia dizer que é em qualquer lugar, mais onde me sinto mais africana eu posso dizer sem sombras de dúvidas que é no cortejo do afoxé.
Desde de 2001 eu desfilo no bloco de afoxé Ayó Delê, um cortejo afro do qual eu sou destaque. Já desfilei em todas as alas do cortejo, e no dia 10 desse mês de junho o bloco foi de novo as ruas e eu com ele.
Esse bloco afro faz homenagem as Iabás africanas, em especial a Oxum, senhora dos rios, da beleza, da maternidade e do ouro.
Há sete anos o afoxé leva alegria aos becos da antiga capital Goiás, fazendo uma alusão a festa da rainha negra citada por alguns historiadores goianos como Sebastião Fleuri e Paulo Bertrão.
Segundo esses historiadores essa festa, datada do séc xviii, consistia em um cortejo onde uma escrava jovem e linda era escolhida para ser rainha. Em seguida ela era banhada nas águas do rio Vermelho, e vestida de dourado para lembrar as riquezas da mãe África. Nesse dia essa rainha era venerada e desfilava pela antiga Vila Boa, hoje Goiás.
Esse cortejo lembra os cortejos de etnia banto angolano. O afoxé nasceu do desejo de reviver esses momentos gloriosos dos quais nossos reis e rainhas africanos tanto quizeram preservar em terras goianas
Durante o cortejo a língua falada e cantada é Ioruba ou bantu, tudo como manda na tradição afro, mas a alegria que o cortejo traz a onde quer que passe é universal, vai além das letras do Ijexá e das cores das roupas.
A alegria está estampada no rosto de quem desfila e de quem assiste e acompanha mesmo que timidamente, sem entender porque os tambores os chamam.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Maio mês dos sobreviventes


Sei que já estamos acabando Junho, mas senti a necessidade de escrever sobre Maio, sobre esse mês, em especial sobre um dia.
O 13 de Maio fui convidada a ministrar uma palestra na Universidade Estadual de Goiás de Goianesia, cidade que fica a 200 km de Goiânia.
Fiquei muito feliz pelo convite, sobre tudo por ser neste dia que divide opiniões no meio da militância negra.
No dia 13 de Maio de 1888 a princesa Isabel assinou a Lei Áurea que libertava os escravos do cativeiro. Chegava ao fim, depois de quase três séculos, a escravidão negra no Brasil.
Quando digo que essa data gera discursões no meio da militância falo do fato em que alguns grupos não aceitam esse dia como dia da liberdade, pois para eles o fato da princesa ter sido forçada a assinar essa lei, e também porque muitos negros preferiram as condições de escravos para não morrer de fome, faz do dia 13 não o dia do fim das senzalas mas do inicio de mais ciclos de martírio para os ex-escravos, jogados a própria sorte.
Nascia naquele momento uma nova classe, a dos mendigos, pedintes, servos que trabalhavam por um prato de comida. Então quando me perguntaram durante a palestra se eu, enquanto negra, mulher e educadora, acreditava que temos o que comemorar naquele dia 13 de Maio respondi, com toda certeza, temos sim.
Eu estou aqui em um espaço que antes era só dos brancos e que até hoje poucos negros conseguiram ganhar. O mundo acadêmico como todos os outros lugares em que se discutem opiniões hoje é lugar de negro, aliás como dizia Abdias do Nascimento: lugar de negro é em todo lugar. Muitos morreram para que eu e nos pudéssemos estar onde estamos.
Viva nossos reis africanos, viva Zumbi de Palmares, viva Nzinga Matamba.


quarta-feira, 7 de maio de 2008

de volta aos palcos : 1º Salão do Livro de Goiânia




No mês de Abril eu pude matar um pouco a saudade de estar com crianças, Participei como contadora de histórias do primeiro Salão do Livro de Goiânia, que aconteceu de 2 a 6 de Abril.
Mais uma vez me senti como uma principiante na frente de cento e vinte pessoas e pessoinhas de 3 a 50 anos. Contei uma história que adaptei de um mito africano coletado pelo antropologo Pierre Verger, “A dança de Oxúm”. Foi lindo demais ver e sentir todos aqueles olhares, e mais uma vez me vi criança-mulher no intuito de fazer ás pessoas sonharem junto comigo.



a história que brota da terra

No final do mês de Março tive minha primeira experiência de campo arqueologico. Trabalhei por quinze dias em uma pequena cidade do Tocantins, Palmeiropólis, na verdade aos arredores da cidade, onde fizemos o resgate de 6 sitíos arqueologicos pré-históricos. Lá coletamos artefatos para pesquisas em laboratório que nos diram apartir de que periodo aquela area foi povoada, e por quais etnias. A teoria sobre o trabalho do arqueólogo jamais pode nos passar ou explicar a emoção de encontrar seu primeiro artefato arqueologico, ou da beleza especifica de cada sitío pesquisado, do aprendizado adquirido com o convivío com as pessoas daquela região, pessoas com as quais você convive e se interaje durante a execução da pesquisa de campo. E então você percebe que a história para uma pesquisadora não vem só de documentos e livros ou da oralidade, mais ela brota dos poros e da terra.

Uma das etapas da pesquisa de campo do arqueólogo é a educação patrimonial, que tem o papel não só de levar á comunidade o resultado das pesquisas mas devolver á população local parte de sua história em forma de artefatos arqueologicos. Por isso a educação patrimonial é parte fundamental da pesquisa de campo, já que atraves dela a população que vive aos arredores dos sitios arqueologicos percebe a importância da conservação dos mesmos para gerações futuras enquanto identidade local.



quarta-feira, 5 de março de 2008

EU, EU, e EU mesma

Sei que somos respónsaveis pelas escolhas que fazemos na vida, e que temos que aprender a lidar com as dificuldades e lembranças, mais estou vivêndo um momento de transição, quem não está.
Nestes meses não tinham conseguido escrever nada no blog então primeiro peço desculpas pela demora. Mais dedicarei maior atenção a ele, e as pessoas que por ele passaram.
No momento estou meio orfã pois estou sem sala de aula, e amo dar aulas, estou com um trabalho de assesoria no IGPA, instituto geográfico de pesquisas arqueologicas da universidade católica de Goiânia, estou escrevendo minha tese de mestrado que é na area de arqueologia pública. Já acabei de escrever meu primeiro livro de contos afro que espero conseguir públicação logo; isso associado a uma dose de nóstalgia, filha adolecênte, casa, e outras coisas mais me impediram de fazer com que meu blog cumprisse a proposta de troca de experiências e informação para qual ele foi criado...
Em suma me desculpo e agradeço pelas visitas postadas ou não.
Muito axé.

A todas as mulheres


Há tempos que a mulher deixou de ser vista como sexo frágil, pois a cada ano ele assume mais papeisna sociedade: o de chefe de familia sem dúvidas é o que exige mais dela. Pois, ao assumir esse papel, ela agrega a ele mais um personagem de sua diversas identidades: a de mãe, pai, empresária.
E com essa concepção o simples ato de paquerar vai sendo substituido, por relacionamentos rápidos, não por que o romântismo se perdeu da essência feminina mais pelo corre corre diário que a maioria delas vivência.
Neste sentido me pergunto as vezes onde foram parar as Amélias, não as submissas mais aquelas que ainda acreditavam em caras metades, e relacionamentos estáveis.Talvez tenham sido sucumbidas pela exigência do mercado de trabalho, que obriga as mulheres a se prepararem cada vez mais intelectualmente, o que, associado ao trabalho e filhos em alguns casos, deixa pouco tempo para o romântismo e as vaidades do dia a dia.
Então em mais um mês dedicado as mulheres o que dizer a elas talvez se encaixe aqui as palavras do sempre grande para mim Che Guevara, seguidas de pequena adaptação: "Há de se endurecer sempre mais sem perder a ternura” no nosso caso há de se preparar sempre mais sem perder a nossa essência enquanto mulheres e femininas, e por que não nos permitir ser cuidadas, ao inves de cuidar de tudo e todos...

Dia internacional da mulher

PORQUÊ O DIA 8 DE MARÇO
Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". De então para cá o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no resto do mundo.

O QUE SE PRETENDE COM A CELEBRAÇÃO DESTE DIA
Pretende-se chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar a uma tomada de consciência do valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade, contestar e rever preconceitos e limitações que vêm sendo impostos à mulher.


MARCOS DE UM PERCURSO

Em Portugal
1822 - Primeira Constituição Liberal. Tanto esta Constituição como as seguintes afirmam. que a lei é igual para todos, sem referência especial às mulheres.

No mundo
1691 -Estados Unidos
As mulheres votam no Estado do Massachussetts. Perdem este direito em 1789.
1788 - França
Condorcet, filósofo e homem político francês, reclama para as mulheres o direito à educação, à participação na vida política e ao acesso ao emprego.
1792 - Reino Unido
Mary Wollstpnecraft pioneira da acção feminista, publica uma vindicta das Mulheres.
1840 - Estados Unidos
Lucrécia Mott lança as bases de Equal Rights Association pedindo a igualdade de direitos para as mulheres e para os negros.
1857 - Estados Unidos
No dia 8 de Março, em Nova Iorque, greve das opcrárias têxteis para obter a igualdade de salários e a redução das horas dc trabalho, para 10 horas por dia.
1859 - Rússia
Aparecimento de um movimento feminino em St. Pctersburgo para a emancipação da mulher.
1862 - Suécia
As mulheres votam nas eleições municipais.
1865 - Alemanha
Louise Otto funda a Associação Geral das Mulheres AIemãs.
1866 - Reino Unido
John Stuart MIII, filósofo e economista inglês, reclama o direito de voto para as mulheres.
1868 - Reino Unido
Criação da Sociedade Nacional para o Sufrágio Feminino.
1869 - Estados Unidos
Nascimento da Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres. O estado dc Wyoming concede o direito de voto às mulheres para atingir o número de eleitores necessário para entrar na União.
1870 - França e Suécia
As mulheres têm acesso aos estudos médicos. - Turquia
Inauguração de urna Escola Normal destinada a formar professoras para as escolas prirnárias e secundárias para raparigas.
1874 - Japão
Abertura da primeira Escola Normal para raparigas.
1878 - Rússia
Abertura da primeira Universidade feminina em St. Petersburgo.
1882 -. Estados Unidos
Susan B. Anthony funda o Conselho Nacional de Mulheres, tendo como patrono Victor Hugo; o célebre escritor era então um dos chefes do Partido Republicano.
1893 - Nova Zelândia
Concedido o direito de voto às mulheres.
1901.- França
O deputado socialista René Viviani, sustenta pela primeira vez um debate sobre o direito de voto das mulheres.

Se as coisas fossem mãe

Silvia Orthof

Se a lua fosse mãe, seria mãe das estrelas.
O céu seria sua casa, casa das estrelas belas.
Se a sereia fosse mãe, seria mãe dos peixinhos.
O mar seria um jardim e os barcos seus carrinhos.
Se a casa fosse mãe, seria a mãe das janelas.
Conversaria com a lua sobre as crianças estrelas
Falaria de receitas, pastéis de vento, quindins.
Emprestaria a cozinha pra lua fazer pudins !!!!
Se a terra fosse mãe, seria a mãe das sementes.
Pois mãe é tudo que abraça, acha graça e ama a gente.
Se uma fada fosse mãe, seria a mãe da alegria.
Toda mãe é um pouco fada...
Nossa mãe fada seria.
Se a bruxa fosse mãe, seria uma mãe gozada;
Seria a mãe das vassouras, da família vassourada.
Se a chaleira fosse mãe, seria a mãe da água fervida,
Faria chá e remédio para as doenças da vida.
Se a mesa fosse mãe, as filhas, sendo cadeiras,
Sentariam comportadas, teriam boas maneiras.
Cada mãe é diferente. Mãe verdadeira ou postiça,
Mãe vovó ou mãe titia,
Toda Mãe é como eu disse!
Dona Mamãe ralha e beija, erra, acerta, arruma a mesa,
Cozinha, escreve, trabalha fora,
Ri, esquece, lembra e chora,
Traz remédio e sobremesa...
Assim é a minha mãe !!!

Zwelenu o dimi dyetu

Zwelenu ni tangenu, zwelenueeh
Falai e lede, falai!

Kimbundu kia akulu-a-ndamba
O Kimbundu dos ancestrais

Anò a Ngola ku Luanda kuna
Filhos de Angola ali em Luanda

Kondekenu dimi dia oxi yíetu!
Honrai a língua da nossa terra

Dimi dyetu, kifa kyetu
Nossa língua, nossa cultura (costume)

Anga kifa kyetu, mwenyu wíetu
E nossa cultura,(é) nossa alma

Ki fwa o dimi, mwenyu u fwa we!
Morre a língua, a alma morre também!

Bwamoxi twondo banga ibaku ya mbote
Juntos faremos criares boas

Kwaku ni kwaku u sukula mukwa
Uma mão lava a outra

Mayadi, ma sukula mu polo!
As duas lavam a face

Ukwenze wa-la mu dimi dia manyíetu
O vigor (fortidío) esta na língua da nossa mãe

Mutu kene dimi, kene ukwenze
Pessoa sem língua, não tem vigor

Anga mutu kene ukwenze, kene mutu
E pessoa sem vigor, não é pessoa

Kiyama kia muxitu ngo!
Somente bicho do mato!

Dimi dyetu, kifa kyetu
Nossa língua, nossa cultura

Anga kifa kyetu, mwenyu wéetu
E nossa cultura, é nossa alma

Ki fwa o dimi, mwenyu u fwa we!
Morre a língua, a alma morre também

Zwelenu ni tangenu, zwelenueeh
Falai e lede, falaiiii!

Kimbundu kia akulu-a-ndamba
O Kimbundu dos ancestrais

Anaa Ngola ku Luanda kuna
Filhos de Angola alí em Luanda

Kondekenu dimi dia oxi yíetu!
Honrai a língua da nossa terra

Kiba-Mwenyu

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Cultura afro-brasileira em sala de aula

Discorrer sobre cultura africana e afro-brasileira é, acima de tudo, discutir sofre a face quase oculta da identidade brasileira. Á principio precisamos discernir qual a diferença entre cultura africana e afro-brasileira. Antes precisamos definir o que venha a ser cultura. Cliffort, em interpretação das culturas, a defini como toda e qualquer manifestação de um povo, Halbech complementa afirmando que um povo sem memória é um povo sem cultura, em conseqüência sem identidade. Então pode se afirmar que memória, cultura e identidade são palavras que se complementam entre si, e que patrimônio seja ele material ou imaterial nada mais é que a junção de todas estas palavras na prática, e que delas nasce e se explica nossa evolução ao longo de nossa diáspora neste planeta terra.

Em si tratando de cultura africana que tem como base a oralidade, se pode afirmar que muito se perdeu durante sua diáspora em terras brasileiras, mais sua influência é visível em nossa formação etnica e cultural, isto é inegável. O que se precisa entender é que, para se aprofundar melhor, na cultura chamada afro-brasileira temos que buscar, nas suas, nossas raízes, o fio da memória africana com todos seus mistérios, encantos e desencantos; mais se a base desta cultura tão rica é a oralidade, como reescrever está história? Preenchendo as lacunas encontradas com muitas pesquisas e, neste sentido, os monumentos históricos e a mitologia africana são grande aliadas. Em suma todo este ensaio se fez nessesario para percebermos que cultura africana é a mesma na sua essência antí-colonizaçaõ, e a afro-brasileira e a que nasceu com a miscigenaçaõ que se deu em nosso país durante a colonização. E ambas fazem parte de nossa identidade.

Identidade, afinal: quem somos, onde estão nossas raízes brasileiras? Podemos afirmar com certeza que se encontram inicialmente em três continentes: o americano, na forma de nossos indios, no europeu na pessoa dos portugueses, e também espanhóis que por um tempo também se abrigaram e brigaram por nossas terras, e em nossa terra mãe, o continente africano, berço da humanidade e da cultura imaterial. Durante bastante tempo o Brasil viveu sob a condição de colônia europeia, e o resultado disto sem dúvidas é vizivel no nosso comportamento até os dias atuais; era papel da colônia reproduzir em todos os sentidos a cultura da sua metrópole, no nosso caso o Portugal. Nossa arquitetura seguia a influência de nossa colônia. A nós cabia o de suporte em todos os sentidos, e quando o Brasil se tornou “independente” se sentiu a necessidade de buscar algo que desse um cara própria ao novo país que acabava de nascer. Onde buscar subsídios para entender e escrever esta história? Neste momento começaram a dar a importância devida a nossos monumentos, que até eram vistos como frutos da vaidade de nossas governantes, ou registro de suas façanhas e poder.

O termo patrimônio nasceu durante este periodo onde a elite brasileira buscava pela sua própria história e nela uma das suas identidades, e na busca desta história os monumentos históricos assumiram o papel de um fio condutor até a memória, até desconhecida enquanto peça fundamental na busca constante de nossa própria história.

Em 1922 Mário de Andrade, após meses de viagem pelos sertões do Brasil, lança um termo até então desconhecido: o patrimônio cultural imaterial. Mário Andrade ressaltou a necessidade de observar as diversas faces culturais de cada região, levando em consideração que cada povo tem seu jeito de ser, de fazer e que é único, e que isto é que define sua existência enquanto ser individual e social. A semana de arte moderna foi o resultado destas descobertas onde os artistas expunham sua maneira de ser e fazer, não só seu fruto de trabalho. A partir desse momento começa a discussão da necessidade de se separar patrimônio material de imaterial, não que exista um sem o outro, mais a divisão era e é uma forma de preservar melhor nossas manifestações, nosso jeito de ser e fazer, e acima de tudo entender melhor nossas diversas idêntidades ainda ocultas.

Em si tratando de ocultismo, nossa raiz africana é a mais desconhecida, em todos os termos, pois ainda nós deparamos com conceitos coloniais do tipo pais da África, África de negros e pobres, estes são os preconceitos mais amênos, pois não mencionei a intolerância religiosa, o preconceito nos espaços escolares. Então nós resta uma pergunta: afinal o que sabemos da África? O temos ensinado a nossas crianças? Este é o tema de nossa abordagem neste ensaio, fruto de pesquisas e experiências em sala de aula no que se refere a este patrimônio imaterial desconhecido, chamado “Cultura afro-brasileira e africana em sala de aula, desafios e perspectivas”. Dando seguimento a esta discussão faço referência a um trecho tirado de um livro criado pelo ministério da cultura para homenagear grandes nomes e manifestações que expressam uma das nossas faces á afro-brasileira.

“...Os sambas, as rodas, os bumbas, os meus e os bois... Aspectos e gestos essênciais da nossa vida cotidiana que, junto com muitos outros, são agora objeto das politicas de preservação cultural. Com essa públicação o ministério da cultura e o IPHAN vêm informar sobre os fundamentos e instrumentos da política de salvaguarda da dimensão imaterial do patrimônio cultural brasileiro. Assim como prestar contas dos seus resultados e dos desafios que vêm enfrentando. Esses jongos, violas, círios e ofícios são bens vivos mantidos pelas pessoas que os praticam. Preserva-los é valorizar seu conhecimento e ação...”

Conhecimento, pertencimento: palavras que expressam a necessidade de desvendar-mos essa face ainda oculta de nossa identidades brasileira, a afro. Se o respeito, o cuidado para nosso patrimônio, seja ele material ou imaterial, nasce do conhecer, pois através deste conhecer nós sentimos inseridos á este patrimônio então citado, ou á esta história vivenciada que cabe a nós enquanto educadores, enquanto gestores patrimoniais e sobre tudo enquanto brasileiros, tomar posse desta parte de nossa história não é mais importante que nossas outras raizes, mais tão importante quanto elas.

Então mais uma vez nós deparamos com o foco principal de nossas discussões: a educação. Mais uma vez cabe as escolas o papel de desvendar e ministrar a nossas crianças e adolescentes uma nova maneira de pensar o continente africano, o de patrimônio imaterial, berço de nossas histórias, de nosso samba, do bumba meu boi, das cores fortes e vibrantes, da força e alegria de viver, da melanina em excesso de nossa pele, do nosso lado espiritualista. Em suma este ensaio poderia acabar aqui só inumerando o rico patrimônio que o legado africano nós deixou, seja ele em forma de monumentos, já que em cada um existem sangue, suor e lágrimas dos nossos escravos e sobre tudo na riqueza de nosso patrimônio imaterial, nosso folclore, nossos griós, nossos jongos; conhecer e tomar posse é nosso papel, o de cidadãos conscientes de sua história e da importância da mesma para nossa perpetuação.

Em suma podemos nós perguntar: como inserir em sala de aula algo que até hoje foi ministrado aleatoriamente sem nem uma preocupação de se avaliar os reflexos do mesmo em nossa sociedade, até então a história do negro em nosso contexto era vista pelos olhos do colonizador, as contribuições dos mesmos resumidas á mão de obra escravas e á alguns martires negros que lutaram, e morreram esquecidos, massacrados por ousarem ser eles mesmos. Então porque não começar por eles, mais não como martires, mais como seres humanos átivos, que lutaram por um mundo melhor e que graças a eles, me deram a possibilidade de escrever abertamente sobre um tema que até então era visto como um tabú, o de nossa face africana.

Ao invés de semanas de arte, período em que a cultura afro aparece em mais evidência, precisamos de disciplinas bem elaboradas que falem uma linguagem que as crianças entendam - aí entra o lúdico tão citado por Freire como ponte ao mundo infantil - , debates, pesquisas, oficinas para despertar o interesse de nossos adolescentes, e, acima de tudo, grupos de pesquisas e parcerias com educadores natos ativistas e africanistas que sirvam de suporte para nossos educadores. Só assim fortaleceremos nossa rede, e assumiremos nossa verdadeira face de brasileiros, meio europeus, meio africanos e meio amerindios, sem desmerecer a importância de cada um, cada qual no seu papel. E em suma poderemos tomar posse deste patrimônio imaterial que até hoje nós é negado por falta de conhecimento.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Umbanda e seus símbolos sagrados

“...A força de um povo está nos símbolos que o mesmo resguarda...”, Adesk (1999).
Desde os primórdios dos tempos podemos observar a importância dos símbolos na existência do ser humano, símbolos estes que os remetem a uma lembrança, seja ela de felicidade ou não, estes símbolos funcionam como um elo entre o material e o sentimental ou espiritual em se tratando de religião.
Podemos destacar periodos importantes da história onde os simbolos tiveram um papel fundamental. Um deles foi a guerra santa onde cristãos tentavam convencer seguidores de Maome que Jesus estava na cruz, enquanto que os outros pregavam o alcorão e ambos estavam certos dentro de sua convicção, mais tanto um quanto o outro acreditavam que só a sua fé e que valia o que causou a morte de milhares de pessoas em nome de “Deus”, mais quem é Deus neste caso onde ele estava na cruz, no alcorão, nos dois ou em nenhun apartir do momento em que começaram a se matar. Espynai, 2001, “Deus é tão grande que é impossivel fecha-lo em único sistema... pois não é isto ou aquilo mais isto e aquilo...”.
Todo este ensaio foi feito para nos levar a refletir sobre a importância dos símbolos em nossas vidas, e os mesmos na vida do outro. Somos nós em que determinamos o que é importante em nossa vida, e cabe a nós perceber a importância de determinadas coisas na vida do outro com o qual convivemos. Em se tratando de religião então o cuidado tem que ser maior, na Umbanda não temos bíblia, é uma religião que se vive e dentro desta vivência temos nossos símbolos que chamamos de pontos de força. Sempre são elementos ligados á natureza, o fogo que é a vela firmada, a água quase sempre em vasilhas de argila, a terra, as pedras, a madeira, sempre elementos que unem o homem á natureza criando um elo entre Zambi que é como chamamos Deus e os homens nós.
A Umbanda é acima de tudo uma religião que se senti, depende de você essa percepção. Você é que vai determinar a extensão do que vai sentir. É como ver o mar pela primeira vez, se você deixar o som entrar nunca mais vai se afastar dele, e assim com toda religião espiritualista se você olhar com os olhos do coração vai perceber que sempre foi espiritualita, só não havia percebido.

A Senhora das Cabeças e a Rainha dos mares

Odoiá.... é assim que se saúda a mãe de todos nós, a rainha dos mares, uma das orixás femininas mais cultuadas no Brasil, Iemanjá, símbolo de pureza e dona do equilíbrio. Ela é a dona de nossas cabeças e a ela que devemos pedir equilibrio e direção para que nossos caminhos sejam sempre trânquilos como o mar em suas calmarias.
Hoje é dois de fevereiro o que para algunas nações espiritualista é o dia dedicado a mãe das águas, neste dia as pessoas se dirijem ao mar para ofertar flores, perfumes, batons, tudo para agradar Iemanjá e conseguir sua proteção.
De acordo com os contos Iorubas: “o mar não tinha ondas e com a criação do homem, ele começou a sujar o mar, o que deixou Iemanjã furiosa. Ela foi até o Orúm, céu dos orixás, e pediu a Orumilá que tomasse uma providência ou ela invadiria a terra com suas águas e lavaria todo sujeira do homem, inclusive ele mesmo. Então Orumilá teve uma idéia, deu a Iemanjá o poder sobre as ondas que até então não existiam, através delas Iemanjá devolve ao homen toda sujeira que ele joga nas suas águas, e consta ainda que quando acontece aquelas mares altas onde o mar invade as cidades é ela que não aguenta mais vè o que o homen tem feito com suas águas...”
Este é um dos mitos da mãe das águas, senhora de nossas cabeças, dona dos mares, salve Iemanjá a rainha do mar, Odoiá, minha mãe.